quinta-feira, 17 de março de 2011

À lupa, once again.

O equilibrismo [ou a sua tentativa] mantém-se presente a casa dia. Os pensamentos derrotistas assaltam-me repentinamente e eu contrabalanço-os automaticamente, pressionando o outro prato da balança. -- Vais estar bem hoje e não vais pensar em parvoíces! -- Penso, incitando-me. As sensações desvanecem-se e consigo não me auto-centrar por momentos, conduzindo-me para uma tela negra com vagos pensamentos quotidianos, pouco ou nada importantes.
Percorro sem me aperceber, todo o diâmetro do ciclo/círculo vicioso, e dou por mim assim: a escrever sobre toda esta amálgama interna novamente [ontem].
A primeira frase que me vem à cabeça é: "Como eu invejo o Alberto Caeiro!". A simplicidade; naturalidade. Pura alegria; felicidade ingénua. Ingénua, mas verdadeiramente sentida.
Que é isso de felicidade e porque é que a perseguimos de forma incessante? Insisto na ideia de que me deveria sentir feliz mas que não consigo.
Tenho família. Pais, avós. Tenho amigos, colegas. Tenho uma casa, tenho conforto, tenho o que a maioria das pessoas gostaria de ter e não tem: qualidade de vida. Tenho dinheiro, tenho vida social; não tenho problemas de saúde graves.
Fico farta do verbo "Ter"!
Irrita-me que não se associe ao verbo "Sentir".
Prender-se-à com o meu desprezo pelos bens materiais em si? Com a minha ideologia de igualdade e partilha?! Serei hipócrita ao ponto de me dar ao luxo de dizer que não me importo com o papel do dinheiro na minha felicidade, só porque não tenho falta dele?
Se soubessem quantas vezes eu me questiono sobre tudo isto... Eu própria considero impressionante o número de vezes que estas questões se me colocam.
Família e amigos. Como eu os amo. Como eu agradeço por fazerem parte da minha vida; só eu sei a importância que têm, o bem que me fazem sentir. São análogos à Natureza de Caeiro; só eles me resgatam de mim e me trazem momentos de felicidade pura. Rara... mas natural. Sem ter que pensar.
Por vezes só não quero pensar. Se pudesse tomava comprimidos para dormir a acelerar assim os ponteiros do relógio. Pudesse eu entrar no meu cérebro e bloquear por momentos as sinapses; bloquear a Hostilidade interna, que recentemente descobri em mim como sento um forte traço de Personalidade... [uma faceta do Neuroticismo, não no sentido patológico da palavra, felizmente].
Só não entendo o porquê do negativismo. Porque não pode ser ao contrário? Porque é que, sentada numa cadeira em horas mortas, não tenho vontade de rir? O que precipita os rios salgados que repentinamente banham as minhas faces?
A minha personalidade formou-se e decidiu hostilizar-me [hostilizar-se?]. Ela não quer, eu sei; e por isso perdoo-a. É assim e não consegue evitá-lo. Aceitar-me. Simplesmente aceitar-me? Quiçá, nunca.


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