Sou a minha melhor ouvinte.
A única a suportar os monólogos que as paredes ignoram com escárnio.
O palco desta peça; soalho velho e desgastado, vê subir de saltos altos esta actriz convictamente confiante.
Quebram-se os saltos.
O pedestal desmorona-se e a actriz que era actriz, não o é mais.
Sou apenas uma personagem. Sempre o fui; sempre serei.
A arte de representar preenche as horas mortas, as vivas... e os sonhos.
Será que ainda sei ser eu mesma? Que significa isso afinal? Para que serve?
Ler o guião é tão mais fácil.
Ser actriz de comédia para chorar quando ninguém vê.
Dramática nas palavras, nos olhares e nos pensamentos.
A autenticidade, maliciosa, espreita da esquina. Aproxima-se a covarde, querendo-me resgatar.
Fatídico o seu destino: entorpecida, deixa-se iludir.
Dentro de mim a confino; escondo-a!
Afinal, estou a ensaiar. O seu lugar há-de ser sempre entre 4 paredes; onde só eu a possa olhar.
Os meus maiores segredos só a eles próprios se conhecem.
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